segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal (ano C)


Anuncio-vos uma alegre notícia, que é para vós e para toda a humanidade inteira.
Escutai-a com um coração inundado de alegria.
Tinham passado milhares e milhares de anos, desde que, no princípio, Deus criou o céu e a terra e fez o homem à sua imagem e semelhança.
E milhares de anos, desde que cessou o dilúvio e resplandeceu o arco-íris, sinal de aliança e de paz.

No ano de 752 da fundação de Roma, no ano 42 do império de Octávio Augusto, enquanto em toda a terra reinava a paz, há cerca de 2012 anos segundo a era cristã, em Belém, cidade humilde de Israel, ocupada então pelos romanos, num presépio, porque não havia outro lugar, de Maria Virgem, desposada com José, este da casa e da família do rei David, nasceu Jesus. Filho único de Deus e homem verdadeiro.
Este Menino, chamado Messias ou Cristo, é o Salvador por quem todos esperavam.
Ele é verdadeiramente Deus connosco.


César Augusto, imperador romano, mandou que se fizesse um recenseamento: contar quantos cidadãos havia no império romano.
Maria e José, como cidadãos que eram, puseram-se a caminho em direção a Belém, terra dos antepassados de José.

-Jesus ao nascer durante um recenseamento, mostra que é um cidadão deste mundo, como nós o somos.
-Natal é sentir esta proximidade de Jesus. Deus na nossa história.


Ao chegarem, viram que não havia para Maria um lugar apropriado para dar á luz a criança que estava prestes a nascer.
Diz a tradição que tiveram de ir para um curral de animais.
O menino nasceu assim na pobreza.
Veio para os que eram seus e os seus não o quiseram receber.

-Jesus certamente que hoje bate á porta da hospedaria, que é o nosso coração, para que o recebamos com alegria.
-Natal é abrir as portas do nosso coração a Jesus, porque ele vem como amigo.


Maria pegou no Menino recém-nascido, envolveu-o em panos e recostou-o numa manjedoira.
Diz-se que rodeado por dois animais: um burro e um boi.
O Filho único de Deus que tem como trono uma manjedoira.

-Jesus quis ser igual, no seu nascimento, a todas as crianças, particularmente àquelas que sofrem por causa da miséria.
-Natal é ter presente todas as crianças do mundo e dar-lhes felicidade.


Os anjos apareceram aos pastores e anunciaram-lhes uma boa notícia, que será grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje o Salvador.
E eles deslocaram-se até junto de Jesus e contavam a todos a boa noticia.

-Jesus quis ser visitado, em primeiro lugar pelos últimos da sociedade.
Os pastores eram considerados como gente sem valor.
-Natal é tempo de estarmos atentos aos últimos da sociedade, aos pobres e humildes.
São os preferidos de Jesus.


Se, de facto, os habitantes de Jerusalém não se derem conta da importância desse nascimento, toda a corte celestial, todos os anjos do céu se uniram num concerto musical a cantar: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que ele ama».

-Jesus tinha sido anunciado pelos profetas como o Príncipe da Paz e da Alegria.
-Natal é tempo de saborearmos mais o dom da paz e de nos alegrarmos.


Deus quis habitar no meio de nós, fazer-se um de nós, e fê-lo por meio de Maria.
Tudo isto é mais do que suficiente para repetirmos: Feliz Natal!
Que nos felicitemos e nos encorajemos a ser mensageiros do Evangelho.
Deus foi grande para connosco.
Deus apostou na humanidade.
Dar-lhe-emos glória, se vivermos em liberdade, amizade e santidade.
Levemos para as nossas vidas o desafio comovedor e humano do nosso Natal.
Paz para todos!
Deus ama-nos!
FELIZ NATAL A TODOS!

    
 
 
 
 
 
 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Quarto Domindo do Advento (ano C)


«Bendita és tu entre as mulheres»

Uma vez, maria de Nazaré, que iria ser a mãe de Jesus saiu de sua casa e pôs-se a caminho durante vários dias, para chegar até casa da sua prima Isabel.

Era uma senhora casada com Zacarias, e que estava grávida de seis meses. Iria ser, em breve, mãe de João Baptista, o escolhido para preparar a vinda de Jesus.

Maria, quando chegou a casa de Isabel, saudou-a. Não sabemos com que palavras, mas certamente com muito afeto.

E nesse momento tão feliz do encontro, estavam as duas futuras mães muito felizes. E até a criança que estava no seio de Isabel saltou de alegria no seu ventre.

Como resposta à saudação de Maria, Isabel respondeu em voz alta: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus. Feliz de ti, porque acreditaste».

S. Lucas, o evangelista que mais escreveu acerca de Maria, também a saudou como fez Isabel.
No seu Evangelho chama-lhe bem-aventurada quatro vezes.

O primeiro elogio foi na Anunciação.
O anjo Gabriel saudou-a, dizendo-lhe: «Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo».
Bendita és, Maria.

O segundo elogio aconteceu em casa de Isabel.
Esta cena proclama: «Bendita és tu entre as mulheres. Bem-aventurada porque acreditaste em Deus».
Bendita és, Maria.

O terceiro elogio foi pronunciado por uma mulher do povo, no meio da multidão:
«Ditoso o ventre que te gerou e os peitos que te amamentaram».
Bendita és, Maria.

O quarto elogio foi proclamado por Jesus.
Estava ele a pregar e disseram-lhe que a sua mãe se encontrava lá fora. E Jesus, pensando em Maria, disse: «Ditosos os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática».
Bendita és, Maria.

Maria é bendita ou bem-aventurada, porque acreditou com muita fé.
Como ela, acreditemos enquanto aguardamos a vinda do seu Filho Jesus.



Oração
Senhor nosso Deus, Pai, Filho e Espirito Santo, nós acreditamos que tudo fazes para vir até junto de nós e nos oferecer a vida e a salvação.
Nós sabemos que podemos confiar em Ti e na Palavra que nos diriges.
Como Maria, queremos viver a vida com beleza e alegria verdadeiras.
Ensina-nos a estar atentos á Tua Palavra.
Ámen


Compromisso para durante a semana
O Natal está mesmo a chegar.
É normal que andemos atarefados com muitas coisas como, por exemplo, a compra de presentes.
Convido-vos a uma coisa: Não vos deixeis distrair por tudo isso, esquecendo o que é mais importante no Natal.
O mais importante é Jesus.
Jesus é o grande presente que Deus nos dá. Com ele, o Natal será mesmo muito feliz.



 
 
 
 
 
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A melhor prenda de Natal.


No ano de 1994 dois jovens amigos responderam a um convite do Departamento de Educação da Rússia para ensinar Educação Moral nas escolas públicas. Foram convidados a ensinar nas prisões, quartéis de bombeiros e também num grande orfanato, onde havia perto de cem meninos que tinham sido abandonados, maltratados e deixados ao cuidado do governo.

Aproximava-se o Natal.
Os dois amigos contaram como Maria e José chegaram a Belém, como não encontraram nenhum sítio que os acolhesse e como se foram recolher num estábulo, onde nasceu o menino Jesus, que foi depois posto numa manjedoura.

Enquanto contavam a história, os meninos e os funcionários do orfanato escutavam muito atentos. Quando terminaram a história os dois amigos deram a cada menino três pedaços de cartolina para construírem um presépio, segundo as instruções que iam dando.
Os meninos construíram a casinha do presépio com muito cuidado e, com alguma roupa já usada e muito talento, lá fizeram as imagens.

Os orfãozinhos estavam ocupados na construção do presépio enquanto um dos amigos ia caminhando pelo meio da sala para ver se alguém precisava de ajuda.
Parecia que estava tudo bem até que chegou a uma mesa onde estava sentado o pequeno João. Devia ter uns seis anitos e já tinha terminado o seu projeto.
Quando olhou para o presépio desse menino, o jovem ficou surpreendido porque em vez de um menino Jesus, havia dois.
Perguntou-lhe porque é que havia dois bebés no presépio ao que o menino, cruzando os braços e olhando para o seu presépio já terminado, começou a repetir a história muito seriamente.

Para um menino tão pequenino que só tinha escutado a história do Natal uma vez, contou a história com exatidão… até chegar à parte onde Maria coloca o Menino Jesus na manjedoura.

Então o João começou a acrescentar.
Inventou o seu próprio fim da história: «E quando Maria colocou o bebé na manjedoura, Jesus olhou para mim e perguntou-me se eu tinha um lugar para ir.
Eu disse-lhe: não tenho mãe nem tenho pai, por isso não tenho com quem ficar.
Então Jesus disse que eu podia ficar com ele. Mas eu disse-lhe que não podia porque não tinha um presente para oferecer como tinham feito as outras pessoas que o tinham vindo visitar.
Mas tinha tanta vontade de ficar com Jesus que comecei a pensar no presente que lhe podia dar. Pensei que se o conseguisse manter quente naquela noite tão fria seria um bom presente.
Perguntei a Jesus: se eu te mantiver quente durante esta noite tão fria, isso seria um bom presente?
E Jesus disse-me: ‘Esse era o melhor presente que me podiam dar’. Por isso eu também me meti na casinha do presépio e Jesus olhou para mim e disse-me que podia ficar com Ele… para sempre».

Quando o pequeno João estava a terminar a história inclinou-se em cima da mesa e começou a chorar e a soluçar. O pequeno órfão tinha encontrado alguém que nunca o abandonaria, que estaria sempre com ele. Para sempre.

O jovem ficou a pensar no presépio do João e comentou com o amigo: «Acredito que Jesus o convidou mesmo a estar com Ele para sempre».

Jesus faz esse convite a todas as pessoas, mas para O escutar é preciso ter um coração de criança.


 



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Terceiro Domingo do Advento (ano C)


«Alegrai-vos no Senhor»

O terceiro domingo do Advento é particularmente jubiloso e alegre na sua mensagem.
Não se trata de uma alegria qualquer, mas de uma alegria religiosa, comedida, comunitária: “Alegrai-vos”, porque “o Senhor está próximo”.

Esta alegria é um dos testemunhos mais convincentes que os cristãos podem dar.
Geralmente, a amargura, a depressão e o desengano abundam mais do que a alegria serena e contagiante.
Esta é um dom do Espírito Santo, mas só está ao alcance de quem cultiva a vivência de Deus e a espiritualidade evangélica.

O Evangelho põe de relevo que João Baptista tinha uma personalidade impressionante.
Para Jesus, ninguém nascido de mulher foi maior que João Baptista. Como profeta, impressionava fortemente a gente que o ouvia.
De facto, ele não andava pelas ramas; os seus princípios eram claros e as suas mensagens muito concretas e objetivas:
“Não useis de violência com ninguém”;
“Quem tem duas túnicas reparta com aquele que não tem nenhuma”.
João propunha uma conversão pessoal para que depois se reproduzisse na comunidade.

O Evangelho testemunha que a aproximação a João Baptista despertava sinceridade e interrogações.
Perguntavam-lhe: “ Que havemos de fazer?”
E ele recomendava honradez, justiça e solidariedade, porque o amor é a melhor onda para estarmos ligados a Deus, e a conversão só é autêntica se se manifestar com sinais e gestos de justiça e de solidariedade.
Se fizermos nossas as perguntas que as gentes faziam a João, prepararemos o Natal como deve ser.

O precursor de Jesus chegava até à gente.
A sua mensagem tinha verdadeira autoridade.
À volta da sua pessoa, bem depressa se formou um movimento religioso. Mas João encarregou-se de o canalizar para Jesus, porque – dizia- “Ele é mais forte do que eu”, “Eu não sou digno de Lhe desatar as correias das sandálias”.
João batizava com água; Jesus batizava no Espírito Santo e em fogo.



Oração
Espírito Santo, fogo de Deus, nós acreditamos que Tu nos acompanhas, nos proteges e consolas, que és fonte de segurança, de beleza e de alegria.
Pelo Batismo, recebemos a Tua presença em nós.
Aumenta a nossa fé, e ajuda-nos a viver a celebração da nossa amizade na Eucaristia.
Ámen.


Compromisso para durante a semana
Celebramos a alegria cristã, mas ficaram no ar as perguntas do Evangelho: E nós, que havemos de fazer para que haja mais alegria?
O que é que temos de fazer para vivermos com mais energia o Evangelho e para que na sociedade aconteça mais o Reino de Deus?
Hoje, como ontem, os cristãos têm ainda pela frente muito a fazer, tanto no plano individual como no social.
Preparemos o Natal com espirito evangélico.
Rezemos ao longo da semana, para que consigamos captar e transmitir tudo o que de belo e salvífico existe na vinda de Deus à nossa terra.



 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Melknassar, o quarto rei mago

Quando Jesus nasceu em Belém, apareceu no Oriente no céu uma estrela brilhante.

Os magos disseram entre si:
- Sigamos a estrela, que ela irá indicar-nos onde se encontra o Salvador do mundo.

Eram três reis e chamavam-se Gaspar, Belchior e Baltazar.

Ao chegarem à casa onde se encontrava o Menino, adoraram-no e ofereceram-lhe os seus presentes: Ouro, Incenso e Mirra.

Mas houve um quarto rei chamado Melknassar, que se atrasou e teve de fazer a viagem sozinho.

Ao fim do primeiro dia de viagem, chegou junto a uma cabana.
Sobre ela parou a estrela.
Entrou e lá dentro jazia um velhinho doente e a chamar por socorro.
O quarto rei não o abandonou.
Fez-lhe os curativos e alimentou-o.
Ficou ali até ele curar.

Depois, partiu de novo, seguindo a estrela.

No outro dia encontrou um homem faminto.
Cheio de compaixão, repartiu com ele os seus alimentos.

Mais adiante, ouviu prolongados gemidos.
Era um idoso a tremer de frio.
Com ele repartiu a sua roupa.

O quarto rei continuou o seu caminho, socorrendo os infelizes que encontrava.
Para isso, até já tinha vendido a sua coroa de ouro.

Um dia, encontrou uma família muito triste.
O pai estava para partir à procura do Messias de quem ouvira falar e se encontrava na Judeia, para lhe pedir ajuda.
Mas o quarto rei disse-lhe:
- Eu vou no teu lugar!
O camelo entretanto morrera de cansaço.
O rei partiu a pé a caminho de Jerusalém.
Ao chegar à cidade, sentiu um ambiente muito triste.
Perguntou onde se encontrava o Messias e disseram-lhe:
- Foi morto há três dias. Crucificaram-no no Calvário.
O quarto rei foi ao Calvário e lá estava cruzes vazias.
Lamentou-se dizendo:
«Há mais de trinta anos à procura do Messias, e não o pude ver vivo!»
De repente, viu um jovem vestido de branco que lhe disse:
- Por que te lamentas?
O quarto rei explicou a sua história a esse jovem radiante de luz.
Este disse-lhe:
- Não te lamentes. Tu já o encontraste mais de uma vez no teu caminho.
O quarto rei perguntou-lhe:
- Mas quem és tu?
Ele respondeu:
- Eu sou Jesus vivo. Passei da morte para a vida sem fim. E tudo o que fizeste aos pobres e infelizes, a mim o fizeste!

Jesus mostra-se de mil maneiras: como doente, abandonado, faminto, triste, como luz, como verdade, como caminho… para experimentarmos o que vale, só faz falta verdadeira ânsia de O encontrar e boa vontade.
Devemos ser sinal do Evangelho e símbolos do encontro com Jesus Cristo.


Segundo Domingo do Advento (ano C)

 
"Preparai o caminho do Senhor"
 
A voz dos profetas, incitando à esperança e à conversão, e lembrando como se devem preparar os caminhos do Senhor, tem um único objetivo: que todos possam ver a salvação de Deus.
Não será possível desfrutar e, muito menos, deixar-se contagiar pela salvação, se tivermos um coração distorcido, umas relações ásperas ou uma maneira de ser que não é sincera e simples.

O que a mensagem de hoje nos propõe é que abramos caminhos para que a salvação corra com fluidez.
Isso só será possível se endireitamos aquilo que está torto, se eliminarmos asperezas, se retificamos certos equívocos… Com uma linguagem figurada, a Palavra de Deus pede-nos que arrasemos terrenos, que terraplenemos campos, quer dizer, pede-nos que melhoremos a mentalidade e eliminemos os obstáculos que impedem a irrupção do Reino de Deus.

A conversão avança quando os verdadeiros valores invadem a nossa sensibilidade.
Todos temos capacidade para apreciar os valores essenciais da vida, principalmente se tivermos uma consciência reta e nos deixarmos questionar pelo Evangelho.
Ao contrário, se nos desleixarmos e não nos pedirmos contas, perde-se a consciência e não se afina a captação dos valores humanos e evangélicos.

Hoje, João Baptista salta para o primeiro plano do Advento com uma mensagem clara e direta.
Pregava “um batismo de conversão para o perdão dos pecados”.
Chegou mesmo a arriscar a vida nesta missão de profeta.
A sua palavra quente, apaixonada e feita testemunho foi o complemento dos sinais que realizava.

O Advento é uma chamada a levantar o moral, a reforçar a espiritualidade, a direcionar o comportamento, a crescer no entusiasmo evangélico e, socialmente, a eliminar desigualdades injustas e a clarificar os direitos e as responsabilidades humanas. Se assim fizermos, muitos dos nossos vizinhos poderão “ver” a salvação de Deus.


Oração
Senhor Jesus, nós acreditamos que és o Filho de Deus que veio ao mundo para nos dar a conhecer o grande amor que o Pai nos tem.
Aumenta a nossa fé, e ajuda-nos a viver a alegria de Te encontrar na oração.
Ámen.


Compromisso para durante a semana
Todos os acontecimentos importantes carecem de preparação.
No Advento, nós, os cristãos, recordamos que a vinda de Jesus nos pede uma verdadeira transformação interior.
É nisto que consiste o “preparar o caminho” ou o “endireitar as veredas”.
Embora Deus no acompanhe continuamente, no Advento e no Natal há um chamamento peculiar a acolher as iniciativas e os gestos de salvação.
Que cada um de nós medite nisto e o ponha em prática ao longo da semana.
Os compromissos e os trabalhos do dia a dia estão à nossa espera.