sexta-feira, 4 de março de 2011

Quaresma tempo de...



A Quaresma é o tempo que procede e prepara a celebração da Páscoa.
Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memorial do Baptismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais frequente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola.


Tempo do Perdão (história)

Junto à estação de uma grande cidade, todos os dias se reuniam muitas pessoas marginais, isto é, mais ou menos rejeitadas pela sociedade: drogados, ladrões, miseráveis. Eles reuniam-se ali para se animarem uns aos outros.

Chamava a atenção de quem passava por ali um jovem, todo sujo e de cabeleira comprida, que se movimentava no meio dos outros com ar de quem tem ainda alguma esperança.

Quando as coisas pareciam correr muito mal, esse jovem tirava do bolso um bilhetinho todo amachucado e lia-o. Depois dobrava-o e voltava a metê-lo no bolso. Às vezes, até o beijava. E assim, nesse mar de lamentos, sentia-se confortado.

O que estaria escrito nesse misterioso bilhetinho? Apenas seis pequenas palavras:
"A porta pequena está sempre aberta"
Apenas isto.

Era um bilhete que o pai lhe tinha enviado.
Significava que seria perdoado a partir do momento em que voltasse para casa.
E uma noite fê-lo.
Encontrou a porta do jardim aberta.
Subiu as escadas e deitou-se na cama.
Na manhã seguinte, quando acordou, junto ao leito estava o seu pai.
Abraçaram-se em silêncio.


Comentário:

Este conto faz-nos recordar a conhecida parábola do filho pródigo.
Este vive longe da casa do pai, o qual está ansioso por lhe dar o abraço da reconciliação e fazer uma grande festa.

A Quaresma é o tempo em que nós assumimos a nossa condição de pecadores e pedimos perdão a Deus. Temos a garantia de que Ele tem a porta aberta e a mesa posta, esperando pelos que andam longe.




Cinza, jejum, abstinência que Deus quer

A Cinza que Deus quer…

• Que não te vanglories dos teus talentos, mas que com eles edifiques os outros.
• Que não te deprimas nem te acobardes, porque Deus é a tua vitória.
• Que aprecies o valor das coisas simples.
• Que optes mais pela qualidade do que quantidade.
• Que estejas sempre aberto à esperança.
• Que não tenhas medo da morte, porque é sempre Páscoa.

O Jejum que Deus quer…

• Que não faças gastos desnecessários.
• Que prefiras ser tu a passar privações, a ver o teu irmão em necessidade.
• Que ofereças o teu tempo a quem o pedir.
• Que prefiras servir a ser servido.
• Que tenhas fome e sede de justiça.
• Que vejas no pobre e no que sofre um sacramento de Cristo.

A Abstinência que Deus quer…

• Que te abstenhas de tanta televisão, DVD e internet.
• Que não sejas escravo de ninguém nem de nada.
• Que te abstenhas de qualquer violência.
• Que te abstenhas de palavras inúteis e aparvalhadas.
• Que te alimentes da Palavra de Deus.
• Que te alimentes com o Pão de Deus na Eucaristia.



...
Precisamos de Ti, Senhor, para escutar.
Precisamos de Ti, Senhor, para Te seguir.
Precisamos de Ti, Senhor, para mudar.
Precisamos de Ti, Senhor, para caminhar.
Precisamos e Ti, Senhor, para fazer a nossa Quaresma…
Precisamos de Ti, Senhor, porque o que é teu, sem Ti, é-nos impossível…


Graças sejam dadas a Deus que nos chama.
Graças sejam dadas aos que nos dizem para prestarmos um pouco de atenção a Deus.
Graças sejam dadas à voz que no nosso intimo nos sugere coisas novas.
Graças sejam dadas ao Espírito que não nos deixa cair na monotonia.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Milagre de Lanciano (séc. VIII)


Em Lanciano (Itália), por volta do ano 750, Jesus quis dar uma prova da sua presença real na Eucaristia.
Os antigos documentos e a contínua tradição, relatam que no mosteiro de S. Legonciano, onde habitava os monges de S. Basílio (hoje igreja de S. Francisco), vivia um monge não muito firme na fé que, embora letrado nas ciências do mundo, ignorava as de Deus. Dia após dia, andava cada vez mais incerto, se na Hóstia consagrada estava o verdadeiro Corpo de Cristo, assim como no vinho o verdadeiro Sangue de Cristo. Todavia, ele suplicava constantemente a Deus que lhe tirasse do coração aquela chaga que lhe estava envenenando a alma. O Pai de misericórdia comprazeu-se em tirá-la de tal obscuridade.

Uma manhã durante a celebração da Missa, depois de ter proferido as santíssimas palavras da consagração, o monge encontrava-se mais do que nunca mergulhado nas suas dúvidas. De repente, viu o pão transformar-se em Carne e o vinho em Sangue. Aterrorizado e confuso, ficou bastante tempo como que em êxtase e, finalmente, com o rosto cheio de alegria, ainda banhado de lágrimas, virando-se para os circunstantes, disse:
«O bendito Deus, para confundir a minha incredulidade, quis desvelar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos nossos olhos: Vinde irmãos, e contemplai. Eis a Carne e o Sangue do nosso dilectíssimo Cristo!».
As pessoas que participavam na Missa, dando-se conta do milagroso acontecimento, começaram a verter lágrimas e suplicavam misericórdia. Rapidamente se difundiu por toda a cidade a fama de tão raro e singular milagre.
O Bispo, percebendo a importância deste facto prodigioso, ordenou que aquela Carne e aquele Sangue fossem escrupulosa e amavelmente guardados. Ainda hoje, passados quase 1300 anos, a Carne e o sangue conservam-se incorruptos.

No ano de 1970, o bispo de Lanciano tomou a decisão de submeter estas “relíquias eucarísticas” a um exame científico. O delicado estudo foi confiado ao Prof. Linoli, livre docente em Anatomia e Histologia Patológica e em Química e Microscopia Clínica, exercendo também o cargo de médico chefe do Hospital de Arezzo.
As conclusões a que o Prof. Linoli chegou na sua laboriosa investigação, foram oferecidas ao público no dia 4 Março de 1971.
Estas podem-se resumir nos seguintes pontos:
1- A Carne do Milagre eucarístico é verdadeira carne e o Sangue é verdadeiro sangue.
2- O Sangue e a Carne pertencem à espécie humana.
3- A Carne é constituída por tecido muscular do coração (miocárdio).
4- O grupo sanguíneo resultou idêntico tanto na Carne, como no Sangue (grupo AB).
5- No Sangue demonstraram-se as proteínas fraccionadas nas relações percentuais que apresentam aproximações ao traçado sérum proteico do sangue fresco normal.
6- No Sangue foram encontrados os minerais: fósforo, potássio, sódio, cloretos, cálcio e magnésio.
A conservação das proteínas e dos minerais é absolutamente excepcional.
É sabido que o sangue tirado de um cadáver não pode ter as características encontradas no Sangue do Milagre de Lanciano.

No ano de 1973, a Organização Mundial de saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar este estudo. As conclusões coincidiram completamente com as do Prof. Linoli.

Portanto, a Carne é um tecido vivo que pertence a um coração humano e o Sangue não é apenas incorrupto, mas é fresco, ou seja apresenta as características do sangue de uma pessoa viva.

2- As verdades principais

13- Quais são as verdades principais da nossa fé?
São a Unidade e a Trindade de Deus, e a Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

14- Somente a fé nos faz conhecer estas verdades?
Que exista um só Deus, pode descobri-lo também a razão sozinha, sem a ajuda da fé, mas que este único Deus é em três Pessoas e que a segunda Pessoa Se tenha encarnado, sabemo-lo somente através da fé, isto é, sabemo-lo somente porque Deus no-lo revelou.

15- Como pode a razão descobrir que Deus existe?
Pode descobri-lo partindo da existência das coisas. Estas, revelam-se mutáveis, começam e terminam e, sendo assim, a sua existência não se explica se esta não se referir a um Ser eterno e imutável. E depois, se pensamos na extraordinária complexidade e na admirável ordem que se manifesta em particular nos seres vivos, devemos necessariamente admitir que estes seres foram projectados por uma Mente Suprema. A ordem do universo leva-nos à existência de um Ordenador. E como esta ordem está dentro das próprias coisas, este Ordenador deve ser também o Criador de todas as coisas.
Chega-se à existência de Deus também com este raciocínio: neste mundo sucede muitas vezes que os bons sofrem e os maus vivem tranquila e afortunadamente. Isto seria injusto e nós recusamo-nos a aceitá-lo. Assim, deve existir um Juiz Justo que, depois desta vida, premeie os bons e puna os maus. Este Juiz Justo é precisamente Deus. Se se nega Deus, desmorona-se toda a ordem mortal.
«Se Deus não existe, tudo é permitido», escrevia um grande romancista russo.

16- O que devemos então dizer da Santíssima Trindade?
Da santíssima Trindade devemos dizer que é uma verdade revelada por Deus, e que a nossa razão sozinha não poderia jamais descobri-la.

17- Em que consiste este mistério?
Este mistério consiste no facto de que o único Deus existe em três Pessoas iguais e distintas, que são respectivamente o Pai, o Filho, o Espírito Santo.

18- Mas como é possível que três realidades distintas sejam uma só coisa?
Isto pode tornar-se mais claro com um exemplo. Pensemos num triângulo equilátero. Os três ângulos são a mesma superfície, (o ângulo é uma parte do plano, isto é, uma superfície, como ensina a geometria). São a mesma superfície e mesmo assim são distintos entre eles, e inconfundíveis uns com os outros. Assim, as três Pessoas Divinas – o Pai, o Filho, o Espírito Santo – são o único Deus, e contudo são distintas entre elas, e inconfundíveis umas com as outras.

19- Qual é o segundo mistério principal da nossa fé?
O segundo mistério principal da nossa fé é a Encarnação, Paião, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

20- O que significa “Encarnação”?
“Encarnação” significa que a segunda Pessoa Divina, que é o Filho, nascido do Pai antes de todos os séculos, isto é na eternidade, a certa altura uniu a Si a natureza humana, e assim, sem deixar de ser Deus, tornou-se também homem. É aquilo que dizemos no Credo: «O Filho, nascido do Pai antes de todos os séculos, encarnou no seio da Virgem Maria e Se fez homem». Naturalmente sem deixar de ser Deus. portanto, em Jesus Cristo temos a única Pessoa do Filho, o Verbo, que tem duas naturezas: a natureza divina, que possui desde a eternidade, e a natureza humana, que começou a possuir a partir do momento da Encarnação.

21- Onde é que aparece no Evangelho esta verdade da nossa fé?
Aparece todas as vezes que Jesus, que era um verdadeiro homem, isto é que possuía uma verdadeira natureza humana, afirma ser também Deus. Por exemplo, quando diz: «Eu e o Pai somos Um» (Jo 10,30), e quando aprova a profissão de fé do Apostolo S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).

22- Passamos agora ao mistério Eucarístico.
Existem mais dogmas da fé a respeito da Eucaristia?
Sim, a respeito da Eucaristia, a Igreja ensina-nos muitas coisas. E portanto, não basta um só dogma para exprimir este mistério.

23- Se alguém quiser aprofundar o mistério da Eucaristia de onde lhe é conveniente começar?
É-lhe conveniente começar pelo Evangelho, deixando-se guiar na sua leitura por aquilo que a Igreja ensina. Deste modo, no final, compreende que todos os dogmas que dizem respeito à Eucaristia, não são senão uma explicação clara e segura de tudo o que está contido no evangelho.

Antes de Jesus, que nos deixou o seu ensinamento no Evangelho, o povo hebreu tinha podido alimentar-se no deserto de uma comida miraculosa, o maná, um claro pré-anuncio do dom da Eucaristia.

(continuação)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Que a Esperança não se apague.


Era uma vez quatro velas, ardendo lentamente!

O ambiente estava tão agradavelmente silencioso que podia ouvir-se o diálogo que mantinham entre si...


A primeira vela disse:
- Eu sou a PAZ!

Apesar da minha luz ser pequenina, mansa e suave, há tantas pessoas que não querem manter-me acesa em sua casa.
Prevejo que vão mesmo deixar-me apagar.
E, diminuindo devagarinho a sua chama, rapidamente se apagou totalmente.


A segunda disse:
- Eu sou a !

Infelizmente sinto-me que sou desnecessária.
As pessoas não querem saber de Deus, pensando que podem viver sem Ele. Dizem que têm tudo, não sentindo a sua falta.
E, sendo assim, para elas parece não ter sentido que eu permaneça acesa.
Ao terminar de falar um vento passou levemente sobre ela e apagou-a.


Rápida e triste a terceira vela também se manifestou:
- Eu sou o AMOR!

Sinto-me desfalecida, com falta de forças para continuar acesa.
Há tanta gente a colocar-me de lado, substituindo-me por falsas afeições, sem perceber as consequências e desgraças que aparecem.
Chegam ao cúmulo de se esquecerem até daqueles que estão por perto, seus parentes e amigos que as amam.
E, sentindo tanto desprezo, acabou por se apagar como as anteriores.


De repente...
Entrou uma criança e olhou, tristemente, para as três velas apagadas.
Virando-se para elas exclamou:
- O que se passa aqui?
Não é possível!
Vocês, cuja sublime missão é dar luz ao mundo, deviam deixar-se queimar, dar-se totalmente e estar acesas até ao fim…

E dizendo isto, começou a chorar.

Surge então a quarta vela e aclamou aquela criança:
- Não tenhas receio menino, não vamos desanimar.
Enquanto a minha mecha fumegar, podemos acender de novo as outras velas, e voltaremos a dar luz ao mundo que vive nas trevas.

Eu sou a ESPERANÇA!

o menino, a quem de novo os olhos brilharam, agora cheio de confiança pegou com devoção naquela luz cintilante que restava… e com ela reacendeu alegremente todas as outras.

Que a vela da Esperança nunca se apague dentro de nós.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Hóstia transforma-se em carne sangrenta (Roma séc. VI-VII)


O milagre aconteceu num domingo, enquanto o Sumo Pontífice, S. Gregório Magno,celebrava a Missa na Basílica de S. Pedro (Itália).

No momento da Comunhão, uma senhora romana da classe alta, aproximou-se do altar. O Papa, ao colocar-lhe a Hóstia nos lábios, pronunciou as palavras do ritual:
«O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo te sirva para a remissão dos pecados e te conduza à vida eterna».

Na cara da senhora apareceu, porém, uma espécie de riso incrédulo. Então, S. Gregório tirou-lhe a Hóstia e deu-a ao diácono, para que A colocasse no altar até ao fim da Comunhão dos fiéis.

Quando a celebração acabou, o Pontífice voltou-se com um ar sério para aquela senhora e disse-lhe:
«Diz-me, o que te passou pela cabeça quando te riste, enquanto eu estava a dar-te a sagrada Comunhão?».
A mulher respondeu:
«O pão… o pão que me apresentava não era o mesmo que eu própria tinha preparado e trazido para a oblação?
Não pude fazer mais nada senão rir quando Sua Santidade deu o nome de “Corpo de Cristo” a um pão que eu própria tinha manipulado com as minhas mãos».

O Pontifício convidou então todos os presentes a rezar ao Senhor para a vencer a incredulidade daquela senhora.
Depois voltou para o altar.
Naquele momento, perante a indescritível emoção geral, a Hóstia que o diácono tinha colocado sobre o altar, transformou-se, aos olhos de todos, na carne de Cristo.

Quando a céptica senhora constatou a presença real do Corpo do Senhor, a Hóstia voltou a assumir a aparência do pão, à excepção de uma pequena parte, a qual ficou manchada de sangue.

Esta conserva-se guardada ainda hoje, na vila de Andechs, na Baviera.