quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Adoramos Jesus que prometeu a Água Viva




smileyEis um pequeno texto para ser utilizado com crianças da catequese como hora de adoração em frente a Jesus exposto.

Toda a nossa vida familiar paroquial se reúne na Missa de domingo. Escutamos a Palavra de Deus e unimo-nos à oferta de Jesus. Ele até nos dá o Seu próprio Corpo como o Pão da Vida! Por isso, voltamos sempre a Jesus para lhe pedir mais! Abrimos as nossas mentes à mensagem de Deus. Abrimos os nossos corações à bondade do Senhor. O tempo que passamos em adoração ajuda-nos a acompanhar melhor a missa.

Oração de abertura

Meu Deus, eu creio que estás aqui,
Amo-Te!
És grande e santo. Adoro-Te!
Deste-me tudo o que tenho de bom.
Muito, muito obrigado!
Estou muito feliz por poder passar
Este tempo Contigo.

Pensa naquilo que tu e Jesus vão dizer um ao outro. Por quem é que queres rezar? Com a tua oração, que graças esperas que Jesus dê ao mundo? Queres mesmo escutar Jesus hoje?

Oração para escutar

Estou tão contente por estar Contigo, Jesus!
Tu também estás feliz por me receberes aqui.

Tu tens palavras de vida eterna para me dizer e eu quero escuta-las.
Dou-Te todas as minhas preocupações e necessidades para Te ouvir com atenção.
Por favor, abre a minha mente e o meu coração ao Teu Espírito Santo.


Jesus, a nossa verdade
Jesus ensina-nos a acolher a Palavra de Deus

Vamos escutar a Palavra de Deus na Bíblia. Antes de mais, vamos imaginar o local. É uma cidade chamada Sicar.
Sicar era um sitio muito seco. Quase nunca chovia. A única água ficava muito funda, debaixo da terra. Se precisasses de água, tinhas de a tirar de um poço com um balde. Era a única maneira. Só podias tirar um balde de água de cada vez. Que trabalheira! E a água nem sequer sabia bem! Consegues imaginar a importância da água para as pessoas, numa terra como Sicar?

Leitura do Evangelho segundo S. João
(4,4-10; 15-19; 25-30; 39-42)

«(Naquele tempo) 4Jesus tinha que atravessar a Samaria.
5Chegou, então, a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto do campo que Jacob tinha dado a seu filho José. 6Estava ali o poço de Jacob. Cansado da viagem, Jesus sentou-Se junto do poço. Era quase meio-dia.
7Então chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus pediu-lhe: “Dá-Me de beber.” 8(Os discípulos tinham ido à cidade para comprar mantimentos.) 9A Samaritana perguntou:”Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?” (De facto, os judeus não se dão bem com os samaritanos.) 10Jesus respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem te pede de beber, tu é que Lhe pedirias. E Ele dar-te-ia água viva.” 15A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, par que nunca mais tenha sede nem precise de vir aqui tirá-la.”

16Jesus disse à samaritana:”Vai chamar o teu marido e volta aqui.” 17A mulher respondeu: “Não tenho marido.” Jesus disse: “Tens razão em dizer que não tens marido. 18De facto, tiveste cinco maridos. E o homem que agora tens não é teu marido. Nisso disseste a verdade.” 19A mulher então disse a Jesus: “Senhor, vejo que és um profeta!”

25A mulher disse a Jesus: “Eu sei que vai chegar um Messias (Aquele que Se chama Cristo); e, quando chegar, Ele mostrar-nos-á todas as coisas.” 26Jesus disse: “Esse Messias sou Eu, que estou a falar contigo.”

27Nesse momento, os discípulos de Jesus chegaram. E ficaram admirados de ver Jesus a falar com uma mulher, mas ninguém Lhe perguntou o que Ele queria, ou por que razão estava a falar com a mulher. 28Então a mulher deixou o balde, foi à cidade e disse às pessoas: 29”Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?”
30Eles saíram da cidade e foram ao encontro de Jesus.

39Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa do testemunho que a mulher tinha dado: “Ele disse-me tudo o que eu fiz.” 40Os samaritanos então foram ao encontro de Jesus e pediram-Lhe que ficasse com eles. E Jesus ficou lá dois dias. 41Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir a sua palavra. 42E diziam à mulher: “Já não acreditamos por causa daquilo que disseste. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que Este é, de facto, o Salvador do mundo.”»

Tempo de silêncio com Jesus

Há uma coisa interessante acerca da mulher que veio ao poço. Queria que as pessoas gostassem dela, mas não era muito popular na sua cidade. Assim, veio sozinha buscar água na hora mais quente e difícil do dia.

Quando Jesus chegou ao poço, estava cansado e cheio de sede. Já não conseguia dar nem mais um passo. Quando a samaritana veio, Jesus viu logo que ninguém na cidade gostava dela. No entanto, Jesus não se importou com isso. Tratou-a com respeito. E deu-lhe uma missão: disse-lhe quem Ele era realmente. Quando ela voltou à cidade e disse a todos quem era Jesus, todos vieram ter com Ele.

Jesus tornou-Se como água viva para toda aquela cidade sedenta. Trouxe-lhes uma nova vida. Todos eles disseram: “Acreditamos que Ele é o Filho de Deus!” e agradeceram a Deus por ter enviado Jesus à sua cidade.

A minha resposta

Imagina que estavas naquela cidade e ouvias a mulher a falar acerca de Jesus. Ias com todos os outros ter com Ele?
O que dizias a Jesus no poço? Diz-lhe agora. Ele está à espera para te ouvir!


ACTO DE FÉ
Jesus, nós acreditamos que Tu és o Filho de Deus!


Jesus, o nosso caminho
Jesus chama-nos e nós decidimos segui-l’O.

Como Jesus foi bom para a mulher no poço! Ela estava triste e sozinha quando veio, mas, depois de encontrar Jesus, ficou feliz. Estava pronta para anunciar a toda a gente que o Filho de Deus tinha chegado!

Qual é a melhor maneira de dar a conhecer Jesus às pessoas? Imitando-O! Assim, as pessoas podem ver Jesus através de nós. Imitar Jesus significa deixá-l’O partilhar connosco as Suas escolhas e a Sua maneira de fazer as coisas.

Como é que Jesus vivia? Amando a Deus e amando as outras pessoas. Isto quer dizer tratar os outros como gostamos de ser tratados.

Jesus sabe que, às vezes, fazemos coisas más e que magoam. Nem sempre tratamos as pessoas como gostamos que elas nos tratem a nós. Podemos falar com Jesus e dizer-Lhe que temos pena de agir assim.

Oração do arrependimento

Jesus, vimos ter Contigo como a mulher que veio ao poço.
Ela tinha feito muitas escolhas erradas na vida, mas
Tu mostraste-lhe um novo caminho.
Estamos arrependidos das escolhas que fizemos que magoaram outras pessoas.
Amamos-Te e queremos tratar as outras pessoas como Te tratamos.
Sabemos que nos queres felizes porque és muito bondoso.
Obrigado, Jesus.


A minha resposta

Queres falar da maneira como Jesus fazia as Suas escolhas? Diz-Lhe isso, de coração para coração. Pede a Jesus que te ensine a fazer as coisas à maneira d’Ele. Se não estás preparado, não faz mal. Diz a Jesus que ainda não te sentes pronto. Pergunta-Lhe o que Ele quer que tu faças neste momento.

Tempo de silêncio com Jesus

Diz a Jesus como gostas que os outros te tratem: na escola, nos jogos, nas actividades. Pergunta-Lhe como é que Ele gostava de ser tratado nessas situações. Ele disse: “Tudo o que fazes aos outros, é a Mim que o fazes.”


ACTO DE ESPERANÇA
Jesus, és a nossa vida e a nossa esperança!

(repete isto algumas vezes, com todo o coração.)



Jesus, a nossa vida.
Jesus escuta-nos.
Abrimos os nossos corações à oração e ao louvor.


Ladainha de louvor

Depois de cada frase da oração diz-se:

Louvamos-Te pela Tua Glória!

Pai, estamos contentes por seres tão maravilhoso!

Dás-nos a água para beber, lavar e brincar1

Dás água às plantas que têm sede para que cresçam!

Dás aos nossos corações a água viva do Teu Espírito!

Queremos que todas as Tuas crianças sejam felizes!


Maria foi, desde sempre, a melhor discípula de Jesus. Ela ajuda-nos a olhar para Ele, escutá-l’O, amá-l’O e segui-l’O.

O Rosário é uma das maneiras de nos dirigirmos a Maria e de lhe pedir que nos mostre Jesus e nos mantenha junto d’Ele. Reza uma dezena do Terço, pensando na história das Bodas de Caná:

Em Caná a noiva e o noivo não tinham vinho suficiente para dar uma festa bonita aos convidados do casamento. Já só tinham água. Muita água. Maria disse isso a Jesus e Ele transformou a água no melhor vinho de todos. Assim, mostrou a Sua glória e os Seus discípulos começaram a acreditar n’Ele.

No poço de Sicar, Jesus contou à samaritana o Seu verdadeiro plano: que as pessoas ficassem cheias de vida, não dos poços ou dos jarros de água, mas do Espírito Santo.
Deus quer que conheçamos o Seu amor.


Intercessões

Levantamo-nos e rezamos pelas necessidades de todo o mundo.
Depois de cada prece, dizemos:

Ouve as nossas preces por eles, Senhor.

Meu Deus, há pessoas que não têm água limpa, saudável e boa para beber.

Meu Deus, há pessoas que estão tristes e sozinhas.

Meu Deus, há pessoas que não conhecem Jesus.

Meu Deus, há pessoas que magoam as outras de propósito.

Meu Deus, conhecemos algumas pessoas com grandes preocupações.

Meu Deus, conhecemos algumas pessoas que estão doentes.

Unimos os nossos louvores e os nossos pedidos na oração que Jesus nos ensinou.

Pai nosso…

Tempo de silêncio com Jesus

Apesar de não podermos receber agora Jesus na Sagrada Comunhão, vamos esperar pelo momento de comungar na Missa. Jesus também quer vir aos nossos corações! Por isso, vamos partilhar um momento de comunhão espiritual com Ele. Vamos sentir a alegria do Seu amor e oferecer-Lhe o nosso.

Oração de comunhão espiritual

Jesus, eu quero unir o meu coração ao Teu.
Dou-Te a minha alegria, o meu amor e as minhas esperanças.
Quero receber a Tua alegria e o Teu amor no meu coração.



ACTO DE AMOR
Meu Deus, Tu queres o melhor para mim.
Eu amo-te!



Oração de encerramento

Obrigado, meu Deus,
Por nos teres dado este tempo especial ao pé de Ti.
Obrigado por nos teres dado a Tua Palavra.
Obrigado por teres escutado as nossas preces.
Obrigado por cuidares sempre de nós.
Jesus, enche-nos com o teu Espírito Santo.
Dá-nos o Teu corpo, como Pão da Vida, quando formos à Missa.
Torna o nosso pensamento igual ao Teu, para podermos falar como Tu falas!
Torna as nossas acções iguais às Tuas para todos verem como Tu vivias!
Torna os nossos corações iguais ao Teu para espalharmos o Teu amor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dá-nos a paz.
Em nome do Pai,
do Filho
e do Espírito Santo.
Ámen

smilie

domingo, 14 de novembro de 2010

Que Estranho Funeral



Um sacerdote foi encarregado de paroquiar uma comunidade que tinha São Pedro como Padroeiro.
Começou por fazer os seus projectos e pregar com todo o entusiasmo.
Mas … para quem?
A população não participava na Missa dominical. Participava, sim, um grupo de mulheres idosas e viúvas.
Os homens perdiam-se pelos cafés a beber e a ver jogos de futebol. Os jovens dormiam até tarde, pois regressavam das discotecas a altas horas da madrugada; as crianças, sem exemplos de motivação, preferiam a «bonecada» da televisão, em vez de irem à catequese e à Missa dominical.
Desanimado com tudo isto, o padre pensou em deixar a paróquia. E … pediu a São Pedro que o iluminasse.

Teve uma ideia: «Vou despedir-me, fazendo o enterro da Paróquia!»
Falou com o senhor Bispo e fez o anúncio do que tinha idealizado.
Marcou o velório para Sábado Santo e o funeral no Domingo de Páscoa.
Os paroquianos aguardavam curiosos e interrogavam-se.
Quem seria o morto? ...

Chegou finalmente o dia.
Em frente do altar lá estava uma urna bem fechada. À hora prevista começou uma correria para a igreja que, nesse dia, foi pequena demais para tanta gente.
A aparelhagem sonora transmitia música fúnebre.
O padre fez o melhor sermão da sua vida.
Por fim anunciou que ia abrir o misterioso caixão.
Formou-se logo uma imensa fila e um a um, com os olhos penetrantes, os paroquianos foram passando pela urna aberta.

Que viram?

Cada qual via-se a si mesmo, porque na urna estava um límpido espelho.
Para além da surpresa, lia-se nos olhos de todos a emoção e a vergonha.

Terminado o desfile, o pároco disse:
«Caríssimos paroquianos estou muito feliz porque acabais de participar na Ressurreição da nossa paróquia.»

De facto, a partir daí, a fé reacendeu-se e a prática religiosa passou a ser cada vez mais participativa.

Oração pelas Vocações



Senhor da messe e pastor do rebanho,
faz ressoar em nossos ouvidos
o teu forte e suave convite:
"Vem e segue-me"!
Derrama sobre nós o teu Espírito,
que Ele nos dê sabedoria
para ver o caminho e generosidade
para seguir a tua voz.

Senhor, que a messe não se perca
por falta de operários.
Desperta as nossas comunidades
para a missão.
Ensina a nossa vida
a ser serviço.
Fortalece os que querem
dedicar-se ao Reino,
na vida consagrada e religiosa.

Senhor, que o rebanho
não pereça por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade dos nossos bispos,
padres e ministros.
Dá perseverança
aos nossos seminaristas.
Desperta o coração dos nossos jovens
para o ministério pastoral na tua Igreja.
Senhor da messe e pastor do rebanho,
chama-nos para o serviço do teu povo.
Maria, Mãe da Igreja,
modelo dos servidores do Evangelho,
ajuda-nos a responder "sim".

Ámen.

domingo, 31 de outubro de 2010

Flores para os mortos?



A vida é uma caminhada para a eternidade.
A ponte da imagem acima colocada é símbolo desta travessia para o outro lado da morte.

Todos sabemos que o mês de Novembro é dedicado aos Fiéis.
No dia 2 celebramos os Fiéis Defuntos.
Claro que as flores pelos mortos, pelos defuntos são um acto de delicadeza, de saudade, de dedicação. Temos que aceitar e respeitar, mas o mais importante não são as flores.
Primeiro, não há mortos. Todos vivemos. Uns neste mundo antes da morte, outros, também vivos, do outro lado da vida, depois da morte. Por isso a igreja usa a palavra defuntos e não mortos.
Se os que partiram deste mundo não estivessem vivos, não eram precisas orações, ou missas.
O corpo está no cemitério, mas a pessoa, a alma, vive para sempre, é imortal, não morre mais. Somos todos homens e mulheres para a eternidade.
Se é verdade que a única coisa que temos certa depois de nascer é a morte corporal, não é menos verdade que nascemos para viver, para não morrer nunca, temos o selo da eternidade.
Por isso os primeiros cristãos começaram a chamar ao lugar onde colocavam os cadáveres, cemitério, que significa dormitório.
Eles estão adormecidos à espera da última vinda de Jesus, no fim dos tempos.
Daí que o mais importante para os nossos defuntos, o que mais ajuda a sufragar as suas pessoas, não são as flores, mas as orações, as penitências, as Eucaristias que por eles oferecemos.
São actos de caridade e de comunhão, de sufrágio amoroso e amigo.

Este mês devia ser dedicado a reflectir sobre o valor da vida, da morte, da eternidade. Reflexão séria, pois só temos uma vida e dela temos que dar contas a Deus. Só morremos uma vez e devemos estar bem preparados. E temos uma eternidade à nossa espera que precisa de ser desejada com muito amor, fé e santidade.
Saibamos viver bem para bem morrer, na comunhão com Deus. Saibamos preparar a nossa eternidade no Céu, que não é um lugar, mas uma comunhão de amor com Deus, com a Santíssima Trindade, onde a festa não terá fim.
Procuremos levar uma vida que não conduza a esse estado de sofrimento e de separação de Deus, que é o inferno.
Esforcemo-nos por levar uma vida de oração, de penitência, de santidade, para que possamos não precisar da purificação do Purgatório.
Faz-nos bem pensar nestas realidades. Mas o melhor é rezar pelos defuntos, colher seus exemplos, viver uma vida mais séria e mais santa para isso é que na véspera dos Fiéis Defuntos, celebramos, no dia 1, a Solenidade de Todos os Santos. E a santidade é vocação de todos e para todos.
Deus nos chama a ser santos como Ele é santo.
E, como afirmou S. Paulo, a vontade de Deus é a nossa santificação.
Pensar nos defuntos deve levar-nos a ponderar que não sabemos o dia nem a hora em que o Senhor nos virá buscar, e que chegará a nossa vez da partida para a outra margem.
Estejamos sempre preparados.
Vivamos na graça e na amizade de Deus, que é o Deus dos Vivos e não dos mortos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Zaqueu

Evangelho segundo S. Lucas 19, 1-10

Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
Apareceu então um homem chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos e rico.
Esforçava-se por ver Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-lo, por ser ele próprio de pequena estatura. Correu à frente e subiu a um sicómoro.
Assim que Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe:
«Zaqueu, desce depressa, que eu hoje preciso de ficar em tua casa».
Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus, cheio de alegria.

Ao verem isso, começaram todos a murmurar, e diziam que Jesus tinha ido hospedar-se em casa de um pecador.
Entretanto, Zaqueu parou e disse ao Senhor:
«Olha Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais».
Disse-lhe Jesus:
«Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão.
Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».














Com a nossa imaginação recuemos dois mil anos e vamos entrevistar Zaqueu. (Um jovem vestido de judeu e um jornalista)


Zaqueu, quem és tu?

Eu sou um judeu, chefe de publicanos. Tenho como profissão cobrar os impostos para o imperador romano.

Parece que as pessoas não gostam muito de ti.

É verdade.
Consideram esta profissão como impura, simplesmente porque trabalhamos para os romanos, que são pagãos. Temos até fama de sermos ladrões, pois às vezes alguns de nós vão recebendo o dinheiro e ficam com algum para si próprios.
Mas isso de ter má fama não me preocupa muito.

Por que é que decidiste ir ter com Jesus?

Eu tinha tudo na vida; era rico.
Mas estava profundamente insatisfeito.
Participei em muitas festas, mas nenhuma delas me deu a alegria que eu buscava. Por isso, decidi ver Jesus. Pelo que ouvi dizer dele, seria a única pessoa capaz de entender o meu drama interior.

Conta-nos como se realizou esse encontro.

Eu fui para junto do caminho onde Ele deveria passar.
Como toda a gente me considera de pequena estatura, eu subi a uma árvore, um sicómoro. Esperei lá em cima escondido, pois as pessoas desprezavam-me e, se me vissem, eram capazes de correr comigo.

E que fez Jesus quando passou junto de ti?

Jesus, ao passar, levantou o olhar para mim.
Olha para mim de baixo para cima, com ternura, e não de cima para baixo, com altivez.
E chamou por mim.
Não me chamou «impuro» mas apenas pelo nome.
E disse para eu descer que devia ficar em minha casa.

E tu, que fizeste?

Desci imediatamente e recebi-o com alegria.
O que Jesus queria era estar comigo, pois percebi que Ele tinha vindo não para os justos mas para os pecadores. E eu era um desses pecadores que queriam mudar de vida.

Como decorreu o encontro em tua casa?

Não posso resumir em poucas palavras a alegria deste encontro.
Apenas me esforcei por acolhê-lo bem. E Ele passou a ser o meu maior amigo.
Descobri que a verdadeira alegria, que procurava desesperadamente, estava em acolher Jesus na minha vida.

Foi Jesus que te mandou repartir os bens?

Não.
Mas eu percebi que quem ama Jesus tem de amar os outros.
Por isso, como era rico, prometi que iria dar aos pobres metade dos meus bens e restituir quatro vezes mais a quem prejudiquei.
Afinal a felicidade não estava em ser rico. Com Jesus é que se pode ser feliz.

E como é que as pessoas reagiram a tudo isto?

Começaram a criticar Jesus, dizendo:
«Imaginem! Foi hospedar-se em casa de um pecador!».
Mas Jesus não se importava nada com o que diziam dele.

Como acabou esse encontro de festa em tua casa?

Jesus disse:
«Hoje a salvação entrou nesta casa».
E partiu feliz, pois era essa a sua alegria: ir ao encontro dos pecadores para lhes mostrar o amor de Deus.

Muito obrigado Zaqueu, pelas tuas palavras.
A tua atitude será recordada por todas as gerações.



O Zaqueu do Evangelho é cada um de nós.

- Como Zaqueu, precisamos de procurar Jesus.

- Quando colegas nossos procuram a alegria em tantas coisas, nós vamos procurá-la em Jesus.

- Como Zaqueu, abrimos-lhe a porta da nossa casa.
Para que ele se sente connosco à nossa mesa e jante connosco.
Ele deve entrar em nossa casa!

- Como Zaqueu, precisamos de mudar de atitudes. Não teremos a sua riqueza para repartir, mas temos outras coisas para dar aos outros necessitados.

O Zaqueu do Evangelho é cada um de nós. Pensemos nisto.




quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Fariseu e o Publicano

O Fariseu e o Publicano (Lc 18,9-14)


Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, rezava assim no seu interior:


- Meu Deus, dou-vos graças por não ser como o resto dos homens que são ladrões, desonestos e adúlteros, e também por não ser como este publicano.


Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.


O publicano ficou à distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu.
Só batia no peito e dizia:
- Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador!


Pois eu digo-vos que este ultimo voltou justificando para sua casa, ao contrário do fariseu.
Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.



Explicação


Quantas pessoas entram nesta história que Jesus contou?
São duas: o homem fariseu e o homem publicano.
Os fariseus, como já sabemos, eram judeus que cumpriam fielmente todas as leis da religião judaica, as leis do Antigo Testamento. E eram muitas. Não faziam mal nenhum, pelo contrário.
Os publicanos eram os judeus que cobravam os impostos para os romanos.
Como os romanos eram estrangeiros a ocupar a Palestina, os publicanos eram mal vistos pela população.

Aconteceu que ambos foram ao Templo. E cada qual rezou de maneira diferente.

a) A oração do «santo».

O fariseu na sua oração dizia que já era santo. Dizia:

Eu não sou nenhum pecador, como esse que está lá ao fundo.
Eu cumpro todas as leis obrigatórias e ate mais algumas.
Eu jejuo duas vezes por semana e não apenas uma vez por ano.
Eu entrego a décima parte de todos os meus rendimentos aos sacerdotes.
Eu sou mesmo um homem recto, honesto, irrepreensível.

b) A oração do «pecador».

O publicano na sua oração dizia que era pecador. Dizia:

Tu sabes que sou um pobre pecador e todos me tratam assim.
Tu sabes que tenho de trabalhar para os romanos, para poder viver.
Tu sabes que tenho de sofrer a vergonha de me chamarem ladrão.
Tu sabes que quero que te lembres de mim e me perdoes.
Contigo conseguirei mudar de vida e viver de forma diferente.

Qual dos dois, segundo Jesus, rezou bem?
O fariseu ou o publicano?
Foi o publicano.
E porquê? Porque foi humilde e reconheceu que precisava de ser santo.

A nossa oração humilde.

(Palavra EU com dois traços vermelhos por cima)

Quando falarmos com Deus, não falemos como o fariseu, que falou em primeira pessoa: EU…
Eu, Senhor, sou o melhor de todos.
Eu não sou mentiroso, como aquele lá ao fundo.
Eu digo bom-dia a toda a gente, com muita delicadeza.
Eu não faço troça de ninguém, como alguns que eu conheço.
Eu nunca me irrito, como aquele lá ao fundo que até fica vermelho.
Eu… Eu… Eu…

(Palavra TU, DEUS em letras coloridas)

Quando falarmos com Deus, falemos como o publicano, que falou em segunda pessoa: Tu…
Tu, Senhor Deus, és três vezes santo.
Tu convidas-me a ser também santo.
Tu desejas que eu seja perfeito como tu.
Tu sabes que eu, por vezes, faço tolices.
Tu, perdoa-me e dá-me um coração novo.
Regressarei a casa e farei a tua vontade.
Tu… tem piedade de mim.

A nossa oração é uma oração do EU orgulhoso ou do TU humilde?