domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deus e Homem


Quaresma,
Tempo de encontro com Jesus,
Tão humano e tão divino.

Tão humano, que nasceu de uma mulher;
Tão divino, que é Filho Único de Deus.

Tão humano, que se fez igual a nós;
Tão divino, que nunca teve pecado.

Tão humano, que foi tentado pelo Diabo;
Tão divino, que nunca cedeu à tentação.

Tão humano, que até teve fome;
Tão divino, que disse: «Eu sou o pão da vida».

Tão humano, que sentiu cansaço,
Tão divino, que se tornou na nossa força.

Tão humano, que chorou;
Tão divino, que nos consola nas dores.

Tão humano, que sentiu o peso da cruz;
Tão divino, que a cruz é sinal de redenção.

Tão humano, que morreu;
Tão divino, que venceu a morte.

Quaresma,
Tempo de encontro com Jesus.

Sejamos mais humanos e deixemo-nos divinizar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Transfiguraçaõ de Jesus



Na tempestade, o marinheiro reencontra a esperança, vendo ao longe a luz do farol. O automobilista, bloqueado de noite na neve, encontra confiança vendo, ao longe as luzes do limpa-neve. O caminhante, solitário e exausto, retoma coragem, vendo ao longe, a luz fraca duma cabana.
Jesus antes da sua paixão, antecipa a três apóstolos a gloria da ressurreição, transfigurando-se diante deles.
Ele hoje mostra-se como alguém que já passou pela morte da cruz, que já chegou à gloria e que nos espera. Só nos resta segui-Lo, de coração convertido, e vontade confiante.

Evangelho Lc 9,28b-36

Reflexão

Hoje apresento a reflexão do evangelho sobre a forma de entrevista.

Temos aqui connosco três crianças (ou jovens) que nos ajudarão a perceber melhor o Evangelho que acabamos de escutar. São elas Pedro, Tiago e João, os três apóstolos que Jesus tomou para subirem com ele à montanha.

(Estas três crianças para serem identificadas trazem ao peito um cartaz com o devido nome de João, Tiago e Pedro. A entrevista pode ser feita entre catequista e crianças ou padre e crianças).

Conta-nos João, como é que tudo aconteceu.

João – Nós os três éramos os amigos preferidos de Jesus. Ele convidou-nos a irmos com ele para o silêncio da montanha. Quando chegou, começou a orar.
Embora cansado da subida, eu olhei para ele e fiquei impressionado com o aspecto do seu rosto. Já tinha visto algo de parecido mais vezes. Ele, quando falava com o Pai na oração, tinha um rosto tão belo que é impossível descrever.
O que mais me impressionou foi Jesus a rezar. Mais tarde ate lhe pedimos Senhor, ensina-nos a rezar como tu rezas.

João ficou maravilhado ao ver Jesus a rezar. E tu Tiago, que mais queres contar do que se passou na montanha?

Tiago – Eu estava com sono. Mas depois da oração, vi que apareceram dois homens e Jesus começou a falar com eles. Esses dois homens eram Moisés e Elias, que representavam a Lei e os Profetas. Percebi que falavam da morte de Jesus, iria ser morto em Jerusalém, mas ressuscitaria na manhã de Páscoa.
Eu e os meus colegas ficamos com mais coragem, pois afinal Jesus não iria acabar na morte. Deus iria dar-lhe uma vida nova e para sempre.

Este encontro foi então para vós como que um anúncio da Páscoa de Jesus.

Os três – Sim.

E tu Pedro, não queres dizer-nos o que aconteceu em seguida?

Pedro – Ao contemplar Jesus assim tão belo, como se antecipasse a sua ressurreição, disse a Jesus: «Que bom é estarmos aqui! Vamos fazer três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias».
Sentia-me tão feliz junto a Jesus a contemplá-lo que não me importava de ficar ali toda a vida.

E chegastes a montar as três tendas?

Pedro – Não. Eu nem sabia o que estava a dizer. Ouviu-se ainda a voz de Deus a dizer: «Este é o meu Filho. Escutai-o!»
Depois Jesus voltou a ter a aparência do costume.
Descemos a montanha e voltamos para o trabalho de todos os dias.

(As crianças retiram-se)

Como Pedro no monte da Transfiguração, nós também dizemos: «Como é bom estar com Jesus!» é que ele nunca nos abandona. Vela sempre ao nosso lado como o maior dos nossos amigos. E tem muita força para nos amparar e salvar, porque é Filho de Deus.


Acção de graças

- Eu sei que estás comigo Jesus…

Quando os amigos me abandonarem e não tiver ninguém com quem desabafar, eu sei que estás comigo…
- Eu sei que estás comigo Jesus.

Quando me faltar a coragem para iniciar um novo dia de trabalho a exigir esforço, eu sei que estás comigo…
- Eu sei que estás comigo Jesus.

Quando me custar dizer a verdade ou tiver dificuldade em perdoar de todo o coração, eu sei que estás comigo…
- Eu sei que estás comigo Jesus.

Quando estiver sem alegria no meu coração e me irritar por tudo e por nada, eu sei que estás comigo…
- Eu sei que estás comigo Jesus.

Quando vier a doença e atirar-me para a cama e a obrigar-me a estar sem fazer nada, eu sei que estás comigo…
- Eu sei que estás comigo Jesus.

Eu sei que estás comigo para me escutares, me dares ânimo, seres a minha fortaleza e a minha salvação.
Contigo ao teu lado, não temerei.
Seremos aliados para sempre.
- Eu sei que estás sempre comigo Jesus.


Levar para casa

Enquanto orava, Jesus transfigurou-se.
Que esta Quaresma seja um tempo forte de oração pessoal e familiar.

Há momentos, em que os nossos pés derrapam, as nossas mãos nuas se despegam da muralha inclinada e rochosa da vida: a oração é a «argola espetada» na rocha.

Há ocasiões, em que o barco da nossa vida se agita, desnorteia na tempestade e perde confiança: a oração é a cabo fixado à âncora.

Há circunstâncias em que o nosso espírito anda à deriva, em que o sentido de orientação vagueia: a oração é a bússola que nos permite retomar o rumo certo.

Rezar é frequentar a Deus, agarrar-se a Ele, ligar-se com Ele.

Rezar é transfigurar-se progressivamente, diante de Deus, a exemplo de Cristo no monte Tabor.




Transfiguração de Jesus em BD



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quaresma


Se fossemos… a Quaresma seria…

Se fossemos automóveis, … a Quaresma seria o tempo de mudar o óleo e afinar o motor;

Se fossemos jardins, … a Quaresma seria o tempo de fertilizar a terra e arrancar as ervas;

Se fossemos tapetes, … a Quaresma seria o tempo de dar-lhes uma aspiradela;

Se fossemos baterias, … a Quaresma seria o tempo de recarregá-las.

Mas não somos nenhuma dessas quatro coisas.

Somos pessoas que, talvez, muitas vezes fazemos coisas erradas e precisamos de nos arrependermo-nos delas. Daí a necessidade de nos confessarmos.

Somos pessoas que muitas vezes nos deixamos levar pelo nosso egoísmo e que precisamos de começar a pensar nos outros. Daí a necessidade da esmola.

Somos pessoas que muitas vezes, perdemos de vista o fim para o qual fomos criados por Deus. Precisamos, pois, de recuperar a visão. Daí a necessidade da oração.

Essa é a razão pela qual celebramos a Quaresma.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

I Domingo da Quaresma



Bons desejos todos temos.
Bons propósitos, sobretudo no começo da Quaresma, não faltam.
Mas nada disso consegue mudar o nosso coração, a nossa vida.
Vamos decidir uma vez por todas, a deixar Deus agir em nós, à sua vontade.
E veremos que o fogo, que em nós está apagado, Ele o acenderá; que toda a velhice que nos paralisa, ele a rejuvenescerá; o que está torto na nossa vida, Ele o endireitará; o que jaz por terra, Ele o levantará; o que está morto, Ele o fará viver. Então tudo será diferente, até o nosso pecado, Ele fará motivo de vida renovada.

Antes da Pascoa, a Igreja convida-nos a prepararmos durante a Quaresma, tempo «forte» de conversão, a renunciar a todo o mal e a viver como cristãos felizes.

Evangelho (Lc 4,1-13)

Reflexão

As tentações de Jesus

Jesus esteve no deserto durante quarenta dias onde foi tentado pelo demónio. Foram três as tentações.
Será que Ele resistiu a todas?...

1- Qual foi a primeira tentação?

Mudar as pedras em pão.
Se Jesus tinha fome e era filho de Deus, por que é que não fazia um milagre a seu favor, mudando as pedras do deserto em saboroso pão?
Jesus é tentado, na sua relação com as coisas, a ter uma vida sem dificuldades a vencer, sem ser preciso trabalhar, sem ser necessário fazer esforços e cansar-se.

Que respondeu Jesus?
Nem só de pão vive o homem.

2- Qual foi a segunda tentação?

Ter muito poder.
Se Jesus era o Filho de Deus, por que é que não se assemelhava aos grandes deste mundo, dono de muitas riquezas, com muitos empregados a servi-lo?
Jesus é tentado, na sua relação com as pessoas, a dominar, a humilhar, a subjugar as pessoas, em vez de estar para servir e para dar a vida por toda a gente.

Que respondeu Jesus?
Ao Senhor teu Deus, é que hás-de adorar.

3- Qual foi a terceira tentação?

Ter muita fama.
O tentador disse-lhe que se atirasse da torre abaixo, porque Deus, se é verdade que o ama, mandaria os seus anjos para o ampararem. Seria um espectáculo.
Jesus é tentado na sua relação com Deus, a manipulá-lo, a exigir que faça a sua vontade. O querer que Deus faça um milagre só para ele, Jesus, se tornar famoso.

Que respondeu Jesus?
Não tentarás o Senhor, teu Deus.


Acção de Graças

Também nós hoje somos tentados de muitas e variadas formas. Na maneira como nos servimos dos bens deste mundo, na maneira como tratamos os outros, na maneira como nos relacionamos com Deus.
E quais são as tentações?

(dois jovens um vestido de negro, faz de tentador e o outro, vestido de branco, faz de cristão resistente. É um dialogo entre o «homem velho» e o «homem novo».
Entre cada tentação, uma pequena pausa ou algum acorde musical)


1- Jovem, por que é que não pensas em curtir a vida, em divertir-te? Serás feliz.
2- Nem só de diversões vive o homem. Não chegam para saciar a nossa sede de felicidade. Precisamos da Palavra de Deus.

1- Jovem, por que é que não pensas em ser muito rico? Toda a gente procura a felicidade no dinheiro.
2- Não se pode servir a dois senhores: ou se serve a Deus ou ao dinheiro. Prefiro servir a Deus, que é a minha riqueza.

1- Jovem, por que é que não te preocupas apenas pelos teus interesses, ignorando os outros? Assim viverás mais comodamente.
2- Recebi de Jesus, como mandamento novo, que amasse os outros como ele nos amou, isto é, amar até dar a vida. Amar, dá felicidade.

1- Jovem, por que é que hás-de gastar tempo a rezar? É um tempo gasto inutilmente, que podes ocupar noutras coisas.
2- Jesus diz-nos que devemos rezar sem desfalecer. A oração para nós não é perda de tempo mas tempo forte que dá força, coragem, esperança, paz.

1- Jovem, por que é que te interessas tanto pelas crianças pobres que andam na rua, pelos emigrantes que são explorados, pelos que sofrem injustiças? Deixa isso para os governantes. Não compliques a vida.
2- Sei que, no fim da vida, seremos julgados pelo que fizemos aos outros. Felizes, nesse dia, os que partilharem o pão, que acolheram os abandonados, que defenderam os fracos, que trabalharam pela justiça e pela paz.

Será cada um de nós a escolher. Ou o caminho do bem ou o caminho do mal. Felizes os que optarem pela Palavra de Jesus, porque saborearão a alegria da Páscoa.
Jejuar, nesta Quaresma, é escolher o caminho do bem. Mesmo que seja difícil. Mesmo que seja preciso ir contra a corrente.
Há alguma coisa de belo que não custe esforço?


Levar para casa

A verdadeira Quaresma não é viver na tristeza; mas, é encontrar o sabor do essencial e viver feliz.
A verdadeira Quaresma não é desprezar as alegrias e os prazeres legítimos da vida; mas é aprender a agradecer a Deus, por tudo o que nos dá.
A verdadeira Quaresma não é arrastar-se com o saco e a cinza; mas é a alegria de se encontrar, face a face, com Deus na nudez do nosso pecado, e implorar o manto da sua graça e do seu perdão.



As Tentações de Jesus

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.

Durante quarenta dias,esteve no deserto, conduzido pelo Espírito,e foi tentado pelo diabo.
Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome.

«Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão».

Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito:‘Nem só de pão vive o homem’».



O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe todos os reinos da terra e disse-Lhe:
«Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, se Te prostrares diante de mim».

Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele prestarás culto’»



Então o demónio levou-O ao pináculo do Templo e disse-Lhe:
«Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: «Deus encarregará os anjos para cuidarem de ti. Amparar-te-ão nas suas mãos para que não tropeces em nenhuma pedra.

Jesus respondeu-lhe:
Afasta-te de mim Satanás. Também está escrito: «Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto».



Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus.

E vieram anjos do céu que o serviram.