domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quaresma


Se fossemos… a Quaresma seria…

Se fossemos automóveis, … a Quaresma seria o tempo de mudar o óleo e afinar o motor;

Se fossemos jardins, … a Quaresma seria o tempo de fertilizar a terra e arrancar as ervas;

Se fossemos tapetes, … a Quaresma seria o tempo de dar-lhes uma aspiradela;

Se fossemos baterias, … a Quaresma seria o tempo de recarregá-las.

Mas não somos nenhuma dessas quatro coisas.

Somos pessoas que, talvez, muitas vezes fazemos coisas erradas e precisamos de nos arrependermo-nos delas. Daí a necessidade de nos confessarmos.

Somos pessoas que muitas vezes nos deixamos levar pelo nosso egoísmo e que precisamos de começar a pensar nos outros. Daí a necessidade da esmola.

Somos pessoas que muitas vezes, perdemos de vista o fim para o qual fomos criados por Deus. Precisamos, pois, de recuperar a visão. Daí a necessidade da oração.

Essa é a razão pela qual celebramos a Quaresma.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

I Domingo da Quaresma



Bons desejos todos temos.
Bons propósitos, sobretudo no começo da Quaresma, não faltam.
Mas nada disso consegue mudar o nosso coração, a nossa vida.
Vamos decidir uma vez por todas, a deixar Deus agir em nós, à sua vontade.
E veremos que o fogo, que em nós está apagado, Ele o acenderá; que toda a velhice que nos paralisa, ele a rejuvenescerá; o que está torto na nossa vida, Ele o endireitará; o que jaz por terra, Ele o levantará; o que está morto, Ele o fará viver. Então tudo será diferente, até o nosso pecado, Ele fará motivo de vida renovada.

Antes da Pascoa, a Igreja convida-nos a prepararmos durante a Quaresma, tempo «forte» de conversão, a renunciar a todo o mal e a viver como cristãos felizes.

Evangelho (Lc 4,1-13)

Reflexão

As tentações de Jesus

Jesus esteve no deserto durante quarenta dias onde foi tentado pelo demónio. Foram três as tentações.
Será que Ele resistiu a todas?...

1- Qual foi a primeira tentação?

Mudar as pedras em pão.
Se Jesus tinha fome e era filho de Deus, por que é que não fazia um milagre a seu favor, mudando as pedras do deserto em saboroso pão?
Jesus é tentado, na sua relação com as coisas, a ter uma vida sem dificuldades a vencer, sem ser preciso trabalhar, sem ser necessário fazer esforços e cansar-se.

Que respondeu Jesus?
Nem só de pão vive o homem.

2- Qual foi a segunda tentação?

Ter muito poder.
Se Jesus era o Filho de Deus, por que é que não se assemelhava aos grandes deste mundo, dono de muitas riquezas, com muitos empregados a servi-lo?
Jesus é tentado, na sua relação com as pessoas, a dominar, a humilhar, a subjugar as pessoas, em vez de estar para servir e para dar a vida por toda a gente.

Que respondeu Jesus?
Ao Senhor teu Deus, é que hás-de adorar.

3- Qual foi a terceira tentação?

Ter muita fama.
O tentador disse-lhe que se atirasse da torre abaixo, porque Deus, se é verdade que o ama, mandaria os seus anjos para o ampararem. Seria um espectáculo.
Jesus é tentado na sua relação com Deus, a manipulá-lo, a exigir que faça a sua vontade. O querer que Deus faça um milagre só para ele, Jesus, se tornar famoso.

Que respondeu Jesus?
Não tentarás o Senhor, teu Deus.


Acção de Graças

Também nós hoje somos tentados de muitas e variadas formas. Na maneira como nos servimos dos bens deste mundo, na maneira como tratamos os outros, na maneira como nos relacionamos com Deus.
E quais são as tentações?

(dois jovens um vestido de negro, faz de tentador e o outro, vestido de branco, faz de cristão resistente. É um dialogo entre o «homem velho» e o «homem novo».
Entre cada tentação, uma pequena pausa ou algum acorde musical)


1- Jovem, por que é que não pensas em curtir a vida, em divertir-te? Serás feliz.
2- Nem só de diversões vive o homem. Não chegam para saciar a nossa sede de felicidade. Precisamos da Palavra de Deus.

1- Jovem, por que é que não pensas em ser muito rico? Toda a gente procura a felicidade no dinheiro.
2- Não se pode servir a dois senhores: ou se serve a Deus ou ao dinheiro. Prefiro servir a Deus, que é a minha riqueza.

1- Jovem, por que é que não te preocupas apenas pelos teus interesses, ignorando os outros? Assim viverás mais comodamente.
2- Recebi de Jesus, como mandamento novo, que amasse os outros como ele nos amou, isto é, amar até dar a vida. Amar, dá felicidade.

1- Jovem, por que é que hás-de gastar tempo a rezar? É um tempo gasto inutilmente, que podes ocupar noutras coisas.
2- Jesus diz-nos que devemos rezar sem desfalecer. A oração para nós não é perda de tempo mas tempo forte que dá força, coragem, esperança, paz.

1- Jovem, por que é que te interessas tanto pelas crianças pobres que andam na rua, pelos emigrantes que são explorados, pelos que sofrem injustiças? Deixa isso para os governantes. Não compliques a vida.
2- Sei que, no fim da vida, seremos julgados pelo que fizemos aos outros. Felizes, nesse dia, os que partilharem o pão, que acolheram os abandonados, que defenderam os fracos, que trabalharam pela justiça e pela paz.

Será cada um de nós a escolher. Ou o caminho do bem ou o caminho do mal. Felizes os que optarem pela Palavra de Jesus, porque saborearão a alegria da Páscoa.
Jejuar, nesta Quaresma, é escolher o caminho do bem. Mesmo que seja difícil. Mesmo que seja preciso ir contra a corrente.
Há alguma coisa de belo que não custe esforço?


Levar para casa

A verdadeira Quaresma não é viver na tristeza; mas, é encontrar o sabor do essencial e viver feliz.
A verdadeira Quaresma não é desprezar as alegrias e os prazeres legítimos da vida; mas é aprender a agradecer a Deus, por tudo o que nos dá.
A verdadeira Quaresma não é arrastar-se com o saco e a cinza; mas é a alegria de se encontrar, face a face, com Deus na nudez do nosso pecado, e implorar o manto da sua graça e do seu perdão.



As Tentações de Jesus

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.

Durante quarenta dias,esteve no deserto, conduzido pelo Espírito,e foi tentado pelo diabo.
Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome.

«Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão».

Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito:‘Nem só de pão vive o homem’».



O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe todos os reinos da terra e disse-Lhe:
«Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, se Te prostrares diante de mim».

Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele prestarás culto’»



Então o demónio levou-O ao pináculo do Templo e disse-Lhe:
«Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: «Deus encarregará os anjos para cuidarem de ti. Amparar-te-ão nas suas mãos para que não tropeces em nenhuma pedra.

Jesus respondeu-lhe:
Afasta-te de mim Satanás. Também está escrito: «Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto».



Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus.

E vieram anjos do céu que o serviram.



As Tentações de Jesus (encenação)

(Mt 4, 1-11; Lc 4, 1-13)

Personagens:
Narrador
Jesus
Demónio 1
Demónio 2
Dois anjos

Narrador - Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-se para o deserto.

(Jesus aparece caminhando lentamente até ao centro. Ajoelha-se e reza. Música muito suave.)


Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, no final sentiu fome.

(Jesus levanta-se lentamente e olha de um lado para o outro como se procurasse algo de comer. Cessa a música.
Começa uma outra música estridente e aparece o demónio. Este aproxima-se de Jesus com movimentos bruscos e Jesus recua surpreendido. Ao falar cessa a música.)


Demónio 1 – Olá Jesus, sou teu admirador. Quero dizer-te uma coisa. Sabes como há tantos pobres que passam fome! Precisam de comer. Olha para aquelas pedras. Se és Filho de Deus, faz com que estas pedras se transformem em pão.

Jesus (Afastando-se diz lenta e claramente) – Está escrito: «Nem só de pão vive o homem».

Demónio 1 (insiste) – Mas Jesus, se converteres as pedras em pão, ajudarás a muita gente e também deixarás de ter fome.

Jesus – Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

Demónio 1 – Venceste-me. Mas não irei desistir.

(Retira-se ao som de música estridente. Jesus fica a orar.)

Narrador – Segunda tentação. O demónio levou Jesus à cidade santa. Colocou-o no pináculo do Templo. E eis que…

Demónio 1 (O demónio regressa acompanhado de um colega e com uma escada. Convida Jesus a subir à escada e a olhar para a assembleia)
– Olha Jesus, quanta gente que nos contempla. Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Atira-te, não tenhas medo.

Demónio 2 – Atira-te, porque está escrito: «Deus encarregará os anjos para cuidarem de ti». Amparar-te-ão nas suas mãos para que não tropeces em nenhuma pedra.

Demónio 1 – Atira-te daí abaixo. Não tenhas medo!

Jesus (Enérgico e afastando-se deles)
- Também está escrito: «Não tentarás ao Senhor teu Deus».

Demónio 2 – Olha que, se te deitares daí abaixo darás um grande espectáculo e amanhã todos os jornais, televisão, rádios e internet falarão de ti.

Jesus – Não tentarás ao Senhor teu Deus.

Demónio 1 - Venceste-me mais uma vez. Mas não hei-de desistir.

(Retiram-se os dois para um lugar à parte e falam um com o outro. Jesus coloca-se de novo em oração)


Narrador – Depois destas duas tentações, o demónio levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhes todos os reinos deste mundo. E eis que…

Demónio 1 (Ao som de musica estridente, aproxima-se de Jesus juntamente com o colega. Levantam Jesus e colocam-no sobre um pequeno banco)
- Olha Jesus para este reino. Vês como é rico e poderoso. Olha quantas riquezas! Que te parece? Escuta uma coisa: Tudo isto te darei, se prostrado me adorares.

Jesus (Aborrecido) – O que é que estás a dizer?

Demónio 1 – Não vês ao longe grandes cidades? Se me adorares, tudo será teu.

Jesus – Afasta-te de mim Satanás. Não me tentes.

Demónio 2 – Não queres possuir todos os bens deste mundo? Vamos! Adora-me e tudo será teu.

Jesus – Afasta-te de mim. Também está escrito: «Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto».

Demónio 1 – Dou-me por vencido. Buscarei outra ocasião para te convencer.

(Os demónios retiram-se ao som de musica estridente)

Narrador – Foi então que o demónio o deixou. E vieram anjos do céu que o serviram.

(Entram duas crianças vestidas de branco, cada qual com uma bandeja. Passado algum tempo retiram-se com Jesus ao som de uma musica forte e alegre).


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quarta-Feira de Cinzas


A grande caminhada dos 90 dias de Páscoa começa com o SINAL DAS CINZAS.
Este sinal quer lembrar-nos que somos pó, isto é, que sozinhos não somos nada.
Com o amor de Deus a envolver-nos somos "obra das mãos de Deus".
Por vezes tomamos caminhos sem saída; ou um caminho mais longo.
Pior ainda: a meio do percurso, constatamos que vamos em sentido oposto.
A solução?
Arrepiar caminho.
É o que significa a palavra Conversão tanto falada durante o tempo da Quaresma.
Deixemos pois os caminhos que temos seguido e nos levam a «impasses».
Tomemos os caminhos do amor de Deus e do próximo, no começo desta Quaresma, e assim, chegaremos à Pascoa feliz da Ressurreição.


Meditar Um pouco de cinza…

• Um pouco de cinza e de pó: Deus os recolhe e lhes insufla a sua vida.
Se for preciso descer aos sulcos da terra, é para germinar, e se levantar como Cristo, saído glorioso do seu túmulo escuro.

• Um pouco de cinza e o coração em oração: Deus nos encontra e nos fala do seu amor.
Se for preciso descer ao íntimo de nós mesmos, é para beber a água viva, que jorra em nós.

• Um pouco de cinza e o pão do reino: Deus nos convida a ter outras fomes.
Se for preciso descer à mesa dos pobres, é para oferecer a felicidade do festim de Deus.

• Um pouco de cinza e alguns passos pela justiça: Deus nos convida a viver o seu combate, por um mundo melhor.
Se for preciso descer ao meio das nossas aldeias, vilas e cidades, é para aí construir uma vida nova, na rocha firme que é Cristo.

• Um pouco de cinza e lábios que sorriem, depois de se terem crispado: Deus acompanha-nos no perdão e no esquecimento das ofensas recebidas.
Se for preciso descer e caminhar ao encontro dos outros, que nos voltaram as costas, é para fazer nascer um povo de irmãos.


Levar para casa

A Quaresma não é o tempo em que tomamos consciência do nosso pecado, mas da grandeza espiritual a que somos chamados.

A Quaresma não é o tempo de sacrificar o corpo, mas de libertar, no nosso coração, as energias de amor e de solidariedade, que Deus nele depositou.

A Quaresma não é o tempo de se vestir de preto, ou de saco como os antigos penitentes, mas é o tempo de tirar o pó acumulado na nossa vida, e dar-lhe a beleza baptismal.